Quando estou beirando a insanidade percebo que é hora de voltar a escrever. Mas, quando volto, deparo-me, admirado, com a certeza de que não há nada a dizer. Às vezes tenho vontade de virar os olhos pra dentro da cabeça, reconhecer a massa cinzenta, ter mais familiaridade com ela. Mapear cada linha de raciocínio. Quem sabe, em alguma trilha, eu encontrasse um assunto perdido, uma argumentação que levaria alguém a algo. Não há mais conclusões, entretanto. A maioria dos livros que eu leio fala exatamente a mesma coisa, de modos diferentes: lutamos, qual loucos, para achar meios novos de nos expressarmos, teorias e conceitos que consideramos ser revolucionários, que temos prazer em achar que eles nunca foram pensados por outrém. Amamos mentir para nós mesmos. Amo ler algum texto perdido e supor que de lá sai algo, não apenas trabalho, academia, reconhecimento. Reconhecimento? Estima? Não. Quero que saia um ser humano. Que saia de entranhas que sangram. Com erros, repetições, quiçá alguns clichês necessários. Um sujeito meio-termo, com quem eu possa me identificar e ao mesmo tempo admirar por não ser parecido comigo. Um casamento entre Stephen e Leopold. No que daria?