no ônibus
é noite
não olho pra frente, pois lá estás
tu
que também desvias o olhar - nada se vê lá fora.
protegida pelo disfarce do reflexo,
vejo-te pelo ângulo secreto da janela
e, súbito, sou descoberta, desarmada
pelos teus olhos desatentos
que no vidro tropeçaram.
assim nos encontramos, noutro plano,
qual desencarnados.