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terminar um livro e nunca mais voltar a abri-lo
é despedir-me de alguém
com aquele bicho no estômago
aquela vontade de imaginar
que todas as pessoas
- nas ruas, nas tabacarias,
nos fundos dos espelhos -
podem ser, meu deus,
elas podem ser
aquela que, sem lutar
deixei ir

4 comentários:

Camila S. disse...

E foi-se, resta o vazio. Vazio cheio.

Guilherme disse...

Acho que este texto deve estar entre os meus favoritos, dentre os textos deste blog. De alguma forma ele parece bem diferente, em estilo, de seus outros textos.
Eu costumava gostar dos seus textos que tinham certos elementos. Este não tem esses elementos, mas mesmo assim eu gostei, não sei exatamente porque...
Muito bonito.

Alisson da Hora disse...

Um livro sempre é um pedaço de nós.

Paty disse...

Adoro textos escritos assim, como se fosse na correria, como se o coração estivesse na mão. A grande maioria dos seus posts me faz ter esse tipo de leitura, mas esse virou meu preferido.

Beijos!