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Desespero inútil. Ou serve pra algo? Não sei. O que fazer quando não se tem nada sobre o que falar? Eu acho que tenho, até; não sei como me expressar. A cada segundo que passa tenho uma nova sensação de morte, minhas mãos começam a formigar e o ar vai me faltando. Como eu poderia ter cabeça pra pensar em algo para escrever? E, mesmo assim, cá estou eu. Não tenho para onde correr. Estou à mercê desse meu medo insano, bruto e totalmente ingênuo. A selvageria me invade de modo grotesco e não sei como me livrar das noites em claro, por mais que os dias cinzentos sejam alegres com os amigos. Estou cansado, muito cansado. Que fazer para matar a morte que cresce dentro de mim? Anular o pensamento, neutralizar o peito? A parte dois de On the Road não acaba nunca, e nunca vai acabar mesmo, se eu continuar deste modo. Não há mais ânimo, planos, nada. Apenas restos de vida, se tanto.
Sensação de morte, fim, solidão, abandono. Eu queria poder transformar isso em literatura, ou apenas em qualquer forma de expressão que pudesse ser compartilhada com alguém. Eu realmente queria, caro leitor imaginário. Mas em vez disso fico apenas citando o que passa pela minha mente, enquanto ainda tenho algum tempo de sanidade restando. Sinto pela não-qualidade desse texto. No momento é o que me surge, e com grande esforço, confesso.

Um comentário:

guiga/bia disse...

http://intransitado.blogspot.com/