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no ônibus

é noite
não olho pra frente, pois lá estás
tu
que também desvias o olhar - nada se vê lá fora.
protegida pelo disfarce do reflexo,
vejo-te pelo ângulo secreto da janela
e, súbito, sou descoberta, desarmada
pelos teus olhos desatentos
que no vidro tropeçaram.
assim nos encontramos, noutro plano,
qual desencarnados.

6 comentários:

Alisson da Hora disse...

Poema simples, mas a simplicidade nos diz tantas coisas... as imagens são intrigantes, envolventes...

mais poemas por aqui!Já!

beijos!

Guilherme disse...

Seus poeminhas sempre me impressionam.
São bem diferentes dos seus textos usuais, e são fantásticos!

Christina Alvarenga disse...

Quanto talento!
Como eu me orgulho de você!!
Bjos

Camila S. disse...

que belo contato, esse do desencontro.

Casa Inabitada disse...

olá, gostei muito dos seus escritos!

Marcella disse...

Lindo! ;)