118 98459428635

i
telas penduradas
- enforcadas em sua condição de arte -
causam-me espanto e vertigem.
arrepios excitados, inúteis, constróem e removem revolvem reviram a lembrança-lama.

ii
o mundo é máquina de fazer lembrar
engolir, salivar, desenterrar e remoer
as nossas piores dores.

7 comentários:

Paulo Costa disse...

às vezes o nosso impulso para se sentir mal consegue ser ainda pior que as casualidades da vida. tem gente que coleciona tristeza, e, bem, não se desfaz nunca mais delas.

Davi Machado disse...

Disseram-me uma vez que a arte é o espelho dor...
aí respondi: "também"
eu acho que a poesia é o Espelho.
sempre tenho essa sensação quando venho aqui.

Beatriz Guimarães disse...

Precisamos dessa lembrança para mudarmos o caminho enquanto ainda parece possível.

Geniais os seus versos, Line.

Estevão Daminelli disse...

estes números nublaram teu poema.
cinza e bonito.

Fred Caju disse...

Forte esse I.

VerMent* disse...

ê Zouvi;

se você me conhecesse eu diria que escreveu o II pra mim...

Anderson Lopes disse...

Mundo
Máquina que enferruja
Mas não para