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deixei de ler Proust
pra ouvir samba:
cada pedaço do Rio eu busco e afasto com a mesma energia.
(algo inerente, natural, um sotaque úmido)
sotaque reprodutor de vida,
pegajoso, brilhante, mole.
o sal que não sai da pele.

vezes há em que me despenca o céu da cara
(e os olhos, em nuvem, se desfazem)
e reconheço, sem medo, que a minha alma tem cheiro de praia.

2 comentários:

Estevão Daminelli disse...

se proust nascesse no rio
ele perderia tempo com outras
coisas.

VerMent* disse...

"vezes há em que me despenca o céu da cara"...

#Suspiro.