108

do que não há

uma ânsia que vem do meio do corpo. não sei exatamente que ponto, parece a boca do estômago. entre um compasso e outro, se alarga num espasmo e torna a se redimir. como pequenos orgasmos que bloqueiam qualquer tipo da mais básica racionalidade. desaprender tudo - escrever torna-se mais penoso a cada dia, e não há refúgio. não há argila, nanquim ou aquarela que sustentem o silêncio das teclas.
não. para todo o sim que houver. perdoa-me, sra. bloom, mas não. o peito sente em ranger neste seu trabalho ingrato. cospe-se aos trancos o pedaço de cada momento belo de existência e não é disso que eu preciso no momento. eu quero facilidade. eu quero literatura podre, decomposta.

3 comentários:

B. disse...

O excesso de saber e sentir que pesa, é nosso tipo de sofrimento do ir(real).

Paulo Costa disse...

Essa ânsia parece estar sempre presente. Na minha vida, ela só é afastada quando trocada pela burrice dos sentimentos.

poemismo disse...

entre um compasso e outro, se alarga num espasmo e torna a se redimir. como pequenos orgasmos que bloqueiam qualquer tipo da mais básica racionalidade.