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um cão, entrecortado, que ainda sofre com a sua não-morte.
seus órgãos são arrancados, um a um,
- por mãos que prefere desconhecer -
e lhes são enfiados goela abaixo.
(a mulher é um cão.)
o cão não tem escolha. sobrevive.
come seus órgãos, come sua felicidade, come sua placenta.
doa-se por inteiro ao nada
e se alimenta de si mesmo.
(o único caminho é o do si-mesmo.)

Um comentário:

Paulo Costa disse...

uau. adorei.